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TUSD: tudo o que você precisa saber

Imagem de uma tabela de pesquisa econômica e uma lâmpada apagada, com uma calculadora ao lado, simbolizando análise financeira e planejamento de custos.

A Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), é um dos principais componentes da conta de energia elétrica no Brasil e corresponde ao custo associado ao uso da infraestrutura que permite a transmissão e distribuição da energia elétrica até os consumidores finais

Sua existência baseia-se no princípio da modicidade tarifária, garantindo que os custos de manutenção da rede sejam rateados de forma justa entre todos os usuários.   

Além da TUSD, a conta de energia também inclui a Tarifa de Energia (TE), que corresponde ao custo da energia elétrica em si. Esse é o preço da eletricidade gerada pelas usinas e repassada pelas distribuidoras. Enquanto a TE é o “produto” (a energia consumida), a TUSD é o “serviço de transporte” (o uso dos fios e postes).   

Uma das formas mais eficazes de reduzir o impacto da TUSD e da TE na conta de energia elétrica é investir em sistemas fotovoltaicos. Consumidores que geram energia solar podem acumular créditos com a concessionária e utilizá-los em períodos de maior consumo ou para compensar períodos de menor geração.   

A energia solar, portanto, tem grande impacto na redução de gastos, à medida que promove maior autonomia energética e proteção contra aumentos futuros nas tarifas reguladas. Assim, ela se torna uma solução acessível e sustentável para consumidores. Entenda mais sobre a TUSD e como reduzi-la no artigo a seguir.

Afinal, o que compõe a TUSD? (Fio A e Fio B)

Para entender por que essa tarifa impacta tanto o seu negócio, é preciso conhecer suas “entidades” internas. O valor total da TUSD é composto por quatro elementos principais:   

  1. Transporte Fio A: custos relacionados ao uso de sistemas de transmissão da rede básica e de outras distribuidoras;
  2. Transporte Fio B: é a remuneração dos custos anuais da distribuidora local para operação e manutenção da rede (postes, cabos, transformadores);  
  3. Perdas: inclui as perdas técnicas (energia dissipada naturalmente por calor, o efeito Joule) e as perdas não técnicas (furtos conhecidos como “gatos”, erros de medição ou inadimplência);
  4. Encargos setoriais: taxas destinadas a financiar programas de governo e subsídios, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).   

Por que TUSD e TE aparecem separadamente nas faturas de energia?

Por determinação da ANEEL, desde setembro de 2012 as contas de luz apresentam os valores de TUSD e TE separados para oferecer maior transparência ao consumidor. Os valores de TUSD e TE são os mesmos que já eram cobrados mensalmente, mas agora são discriminados detalhadamente.   

Essa separação ajuda o cliente a identificar onde pode reduzir custos. Se a TE está alta, o foco deve ser a redução do consumo; se a TUSD é o ponto crítico (especialmente para indústrias), o foco deve ser na gestão de demanda ou migração para o Mercado Livre de Energia.   

Diferença entre TUSD e TUST

Muitos consumidores confundem a TUSD com a TUST (Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão). A diferença é semântica e técnica:   

  • TUST: aplica-se ao transporte de grandes blocos de energia em longas distâncias, através das linhas de alta tensão que conectam as usinas às subestações; 
  • TUSD: aplica-se à entrega final, utilizando a rede de média e baixa tensão que leva a energia das subestações até a sua porta.   

Por que a TUSD é mais cara que a TE?

A TUSD é frequentemente mais cara do que a TE devido à complexidade da infraestrutura brasileira. Fatores que influenciam isso incluem:

  • Encargos setoriais: financiamento de programas como o Luz para Todos e subsídios para baixa renda;   
  • Investimento em infraestrutura: manutenção de postes e expansão das redes em áreas rurais ou de baixa densidade populacional;
  • Tributação e questões jurídicas: impostos como o ICMS incidem sobre a TUSD. Recentemente, o Tema 986 do STJ consolidou o entendimento de que a TUSD deve integrar a base de cálculo do ICMS, encerrando uma longa disputa jurídica e garantindo a legalidade dessa cobrança para os anos de 2025 e 2026.   

Como a TUSD é calculada?

A definição dos valores é feita anualmente pela ANEEL em resoluções homologatórias específicas para cada distribuidora. A fórmula básica para o cálculo residencial e de pequenos comércios é:

Consumo TUSD (R$)= consumo mensal(kWh) x valor da tarifa(TUSD)

A localização geográfica influencia diretamente: regiões com menor densidade populacional tendem a ter uma TUSD mais alta, pois o custo da rede é dividido por menos usuários.   

Consumidores do grupo B (baixa tensão)

Para residências e pequenos negócios, a TUSD é aplicada proporcionalmente ao consumo mensal em kWh.   

Consumidores do grupo A (média ou alta tensão)

Empresas e indústrias que recebem energia em média ou alta tensão (Subgrupos A1 a A4) são tarifadas por dois componentes principais:   

  • Demanda contratada: cobrada com base na potência (kW) reservada para a unidade, independente do consumo; 
  • Consumo de energia: dividido entre as modalidades Horária Azul (tarifas diferenciadas por postos horários) e Horária Verde (tarifa única para demanda).   

Qual o impacto da TUSD na conta de energia elétrica?

Imagine a energia como uma mercadoria: a TUSD é o “frete”. Em consumidores residenciais, esse frete pode representar até 40% do valor total da fatura.   

Nos horários de ponta (geralmente um período de 3h à noite definido pela distribuidora), a rede fica sobrecarregada, tornando a TUSD mais cara para desencorajar o consumo excessivo nesses momentos críticos.   

Como reduzir o impacto da TUSD?

A estratégia mais eficiente hoje é a geração própria (energia solar). Ao gerar sua própria energia, você reduz o volume de eletricidade “transportado” pela rede pública.   

O Marco Legal da Geração Distribuída (Lei 14.300)

Para quem investe em energia solar após janeiro de 2023, existe o pagamento gradativo da TUSD Fio B sobre a energia injetada na rede. Esta regra foi estabelecida pela Lei 14.300 para remunerar o uso da rede das distribuidoras:   

Ano de ReferênciaPercentual da TUSD Fio B Pago
202315%
202430%
202545%
202660%
202775%
202890%
2029 em dianteNovas regras da ANEEL

Mesmo com esse pagamento gradativo, a economia solar continua sendo a principal ferramenta de proteção contra a inflação energética, pois você deixa de pagar a TE e a maioria da TUSD.   

Outras estratégias incluem:

  • Gestão de demanda: ajustar a demanda contratada para evitar pagar por potência não utilizada;   
  • Mercado Livre de Energia (ACL): empresas podem migrar para o ambiente livre e negociar descontos de 50% a 100% na TUSD ao contratar Energia Incentivada (fontes renováveis).   

Conclusão: Por que agir agora?

Investir em painéis solares não é apenas uma escolha ecológica; é uma estratégia de gestão financeira para mitigar os custos inevitáveis da TUSD. Seja em residências ou indústrias, a energia fotovoltaica oferece previsibilidade em um cenário regulatório e jurídico complexo.   

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